O plasma rico em plaquetas (PRP) ganhou crescente interesse como adjuvante no implante capilar nos últimos anos. A hipótese terapêutica baseia-se na liberação de fatores de crescimento plaquetários — como PDGF, VEGF e IGF-1 — que estimulariam a angiogênese, reduziriam o tempo de isquemia dos grafts e aumentariam a taxa de sobrevivência folicular.

Mecanismo de ação proposto

As plaquetas ativadas no PRP liberam uma gama de fatores de crescimento com potencial ação trófica sobre os folículos pilosos. O VEGF (fator de crescimento endotelial vascular) estimula a neovascularização perifolicular — fundamental nas primeiras horas após a implantação. O PDGF (fator de crescimento derivado de plaquetas) promove a proliferação de células da papila dérmica folicular. O IGF-1 está associado ao prolongamento da fase anágena.

Evidências na literatura

Os estudos disponíveis são heterogêneos em metodologia, concentração do PRP e protocolos de aplicação, o que dificulta conclusões definitivas. Uma meta-análise publicada no Aesthetic Plastic Surgery em 2020 concluiu que o PRP como adjuvante ao implante capilar demonstrou tendência favorável na densidade capilar e satisfação do paciente, mas destacou a necessidade de estudos randomizados com maior poder estatístico.

Em estudos de melhor qualidade metodológica, a aplicação intraoperatória de PRP na área receptora mostrou redução do shock loss e melhora da velocidade de crescimento inicial dos grafts — embora a diferença na taxa de sobrevivência final seja menos consistente.

Indicações e protocolos

O PRP pode ser utilizado de duas formas no contexto do implante: (1) como solução de preservação dos grafts durante o período de espera e (2) como infiltração na área receptora antes ou após a implantação. A combinação das duas formas tem os resultados mais positivos na literatura.

Nossa posição clínica

O PRP é uma modalidade adjuvante com base biológica plausível e evidências preliminares favoráveis. Não substitui o rigor técnico do procedimento, mas pode contribuir para uma recuperação mais ágil e melhor sobrevivência dos grafts em casos selecionados. Indicamos com base na avaliação individualizada de cada paciente.

Referências: Gupta AK & Carviel J. J Cutan Aesthet Surg. 2017; Gentile P et al. Curr Mol Med. 2019; Schiavone G et al. Aesthetic Plast Surg. 2020.