O diagnóstico objetivo da alopecia androgenética e a quantificação precisa das características da área doadora e receptora são etapas fundamentais do planejamento cirúrgico. A tricoscopia — dermoscopia do couro cabeludo e fios — tornou-se ferramenta indispensável na avaliação pré-operatória.
O que é a tricoscopia?
A tricoscopia é o exame dermatoscópico do couro cabeludo, realizado com dermoscópio de contato ou videodermoscópio. Permite a análise em alta ampliação de estruturas foliculares, da espessura dos fios, da interface folículo-couro cabeludo e de sinais de inflamação ou fibrose perifolicular. Na avaliação de candidatos ao implante capilar, ela fornece informações quantitativas e qualitativas impossíveis de obter no exame visual convencional.
Parâmetros avaliados na área doadora
- Densidade folicular (UF/cm²): quantificação objetiva do número de unidades foliculares por unidade de área
- Proporção de folículos unitários, duplos e triplos: relevante para estimar a densidade de cobertura possível
- Calibre médio dos fios: fios com diâmetro > 60 μm são considerados de bom calibre para transplante
- Índice de anisotricose: variação de calibre entre os fios — um índice elevado sugere miniaturização folicular em curso na área doadora
- Sinais de fibrose perifolicular: podem indicar comprometimento da área doadora por tração crônica ou outras alopecias cicatriciais
Parâmetros avaliados na área receptora
Na área de calvície, a tricoscopia permite avaliar o grau de miniaturização folicular residual — fios velo ainda presentes indicam que há folículos vivos e ativos que podem beneficiar do tratamento clínico antes ou em paralelo ao implante. A identificação de sinais tricoscópicos de inflamação ativa (alopecia areata, tração, líquen planopilaris) pode contraindicar o procedimento temporariamente.
Documentação e seguimento
As imagens tricoscópicas pré-operatórias são documentadas e comparadas com as avaliações pós-operatórias de seguimento. Essa documentação objetiva permite avaliar a qualidade da recuperação, identificar precocemente complicações e embasar decisões sobre sessões complementares.
Referências: Rudnicka L et al. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2008; Galliker NA & Trüeb RM. Dermatology. 2012; Ross EK et al. J Am Acad Dermatol. 2005.