Acidentes, queimaduras, cirurgias, fissuras labiopalatinas, alopecia cicatricial — existem diversas situações em que o couro cabeludo ou a face apresentam áreas sem pelos por causa de cicatrizes. E uma dúvida frequente é: é possível implantar cabelo ou barba em tecido cicatricial?

A resposta é: sim, em muitos casos — mas com considerações importantes.

Por que o tecido cicatricial é um desafio?

O tecido cicatricial tem características diferentes do couro cabeludo normal. É mais denso, menos elástico e tem vascularização reduzida. Esses fatores afetam a sobrevivência dos folículos implantados — que dependem de boa irrigação sanguínea para se estabelecer.

Além disso, cicatrizes muito fibrosas podem dificultar a inserção precisa da agulha, exigindo maior controle técnico.

Por que a caneta Implanter é especialmente indicada em cicatrizes?

Na técnica convencional com pinça, o médico primeiro abre incisões e depois insere os folículos. Em tecido cicatricial, essa abertura prévia é tecnicamente mais difícil e aumenta o risco de dano.

Com a caneta Implanter, a incisão e a implantação acontecem simultaneamente, com controle preciso da profundidade. Isso permite adaptar cada implantação às características específicas do tecido — mais raso onde a cicatriz é mais superficial, ajustando conforme necessário.

Quais tipos de cicatriz têm melhor resultado?

Cicatrizes de FUT (cicatriz linear no occipital): pacientes que fizeram transplante pela técnica antiga (com retirada de faixa) ficam com uma cicatriz linear na nuca. O implante de fios nessa cicatriz para camuflá-la é um dos usos mais comuns e com bons resultados.

Cicatrizes faciais: lacerações, queimaduras e fissuras labiopalatinas na região da barba respondem bem ao implante, especialmente quando a cicatriz já está madura (mais de 1 ano).

Cicatrizes por tração: perdas capilares nas têmporas e linha frontal por penteados agressivos ou alopecia por tração podem ser tratadas com bons resultados.

O que determina se o implante vai funcionar em uma cicatriz?

Os principais fatores são: maturidade da cicatriz (cicatrizes recentes têm piora de resultados), vascularização do tecido, extensão da área afetada e espessura/mobilidade da cicatriz. Tudo isso é avaliado na consulta — às vezes com fotos e, quando necessário, exame presencial.

A taxa de sobrevivência é menor em cicatrizes?

Em cicatrizes com boa vascularização e técnica adequada, a taxa de sobrevivência pode ser comparável ao implante convencional. Em cicatrizes muito fibrosas ou com vascularização comprometida, pode ser necessária uma segunda sessão para complementar a densidade.

Rassman WR, et al. Follicular unit extraction: minimally invasive surgery for hair transplantation. Dermatol Surg. 2002;28(8):720-8. PMID: 12174065.
Bernstein RM. Hair transplantation in scarring alopecias. Dermatol Surg. 2007;33(12). Baseado na literatura e experiência clínica da equipe TCD Brasil.

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