O mercado vs. a ciência

Suplementos para cabelo representam um mercado bilionário global. Queratina hidrolisada, colágeno, biotina, silício orgânico — as promessas são abundantes. Mas o que a literatura científica peer-reviewed realmente documenta sobre eficácia?

Biotina: evidência real mas limitada

A biotina (vitamina B7) tem o maior volume de evidências entre os suplementos capilares. Estudos documentam melhora da qualidade do fio e redução da queda em pacientes com deficiência documentada de biotina — condição relativamente comum em dietas restritivas, uso de antibióticos prolongado e certas condições metabólicas.

O problema: a maioria das pessoas que consome biotina não tem deficiência. Nesses casos, a suplementação tem efeito marginal ou nulo sobre o crescimento capilar.

Colágeno: mecanismo plausível, evidência modesta

O colágeno hidrolisado fornece aminoácidos (especialmente prolina e glicina) que participam da síntese da queratina. Estudos preliminares mostram melhora na espessura e brilho do fio — mas os dados ainda são insuficientes para afirmações categóricas sobre crescimento.

Queratina oral: absorção questionável

Queratina ingerida é digerida como qualquer proteína — seus aminoácidos são absorvidos, mas não há garantia de que serão direcionados especificamente para o folículo. A queratina tópica (shampoos, tratamentos) atua na estrutura externa do fio existente, não na produção folicular.

Conclusão clínica

Suplementos podem complementar uma dieta deficiente, mas não substituem tratamentos com evidência de nível A (minoxidil, finasterida) e certamente não restauram folículos perdidos. Para queda estabelecida, o implante capilar com caneta Implanter é a única modalidade que oferece restauração permanente.

Referências: Almohanna HM et al. Dermatol Ther. 2019; Patel DP et al. J Clin Aesthet Dermatol. 2017.