A resposta direta: depende

Pacientes com vitiligo podem, em determinadas condições, realizar o implante capilar — mas a decisão exige avaliação cuidadosa. O vitiligo não é uma contraindicação absoluta, mas impõe considerações específicas que precisam ser analisadas caso a caso.

O fenômeno de Koebner: o principal risco

O maior risco no implante capilar em pacientes com vitiligo é o fenômeno de Koebner — a tendência de lesões de vitiligo se desenvolverem em áreas de trauma cutâneo. Em outras palavras, os orifículos de extração e implantação podem desencadear novas manchas de vitiligo nas áreas operadas.

A prevalência do fenômeno de Koebner no vitiligo varia entre 20% e 30% dos pacientes. Isso significa que a maioria não desenvolverá novas lesões após a cirurgia — mas o risco existe e deve ser discutido abertamente.

Quando o implante pode ser considerado

O implante capilar é mais seguro em pacientes com vitiligo quando a doença está estável há pelo menos 1 a 2 anos — sem surgimento de novas lesões ou expansão das existentes. Vitiligo ativo representa contraindicação relativa ao procedimento.

Além disso, a localização das lesões importa: vitiligo no couro cabeludo (área receptora ou doadora) aumenta o risco de Koebner localizado, exigindo planejamento mais conservador.

O que fazer antes de decidir

Pacientes com vitiligo devem consultar tanto um dermatologista especialista em vitiligo quanto um especialista em cirurgia capilar. A estabilidade da doença deve ser documentada, e o risco de Koebner deve ser discutido de forma transparente antes de qualquer decisão cirúrgica.

Referências: Parsad D et al. Dermatology. 2006; Gupta S & Olsson MJ. Vitiligo. 2011.