Alopecia areata: entendendo a condição

A alopecia areata é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca os folículos pilosos, causando queda de cabelo em placas. Diferente da alopecia androgenética (calvície comum), a areata não destrói permanentemente os folículos — eles ficam em estado de dormência, com potencial de recuperação.

Por que o implante geralmente não é indicado na areata ativa

Na alopecia areata ativa, o implante capilar é contraindicado por duas razões principais:

1. Os folículos implantados podem ser atacados. Como a doença é autoimune e sistêmica, o sistema imunológico pode atacar os grafts transplantados da mesma forma que atacou os folículos nativos — resultando em perda do investimento cirúrgico.

2. A área doadora pode estar comprometida. Em casos extensos de areata, os folículos occipitais (área doadora) também podem estar afetados, reduzindo a qualidade e viabilidade dos grafts.

Quando o implante pode ser considerado

Em casos de alopecia areata estável por pelo menos 2 anos, com remissão documentada e sem novos episódios, alguns especialistas consideram o implante capilar. A decisão deve ser tomada em conjunto com o dermatologista que acompanha a doença.

Casos de alopecia areata localizada e cicatricial — onde os folículos foram permanentemente destruídos por fibrose — têm indicação mais clara para o implante, pois não há risco de recidiva autoimune nos folículos transplantados.

O tratamento correto primeiro

Para areata ativa, o tratamento clínico deve vir primeiro: corticoides, minoxidil, imunomoduladores e os novos inibidores de JAK (baricitinibe, ruxolitinibe) mostram resultados promissores. O implante, quando indicado, complementa — não substitui — o controle da doença de base.

Referências: Alkhalifah A et al. J Am Acad Dermatol. 2010; Pratt CH et al. Nat Rev Dis Primers. 2017.